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      Esgotamento.

 

Então convidou-lhes Jesus: “Vinde somente vós comigo, para um lugar deserto, e descansai um pouco”. Pois, a multidão dos que chegavam e partiam era tão grande que eles sequer tinham tempo para comer. (Mateus 6:31)

É imprescindível para um pastor ter um tempo de descanso. Jesus nos ensina exatamente isso quando tira os discípulos do meio da multidão e os leva a um lugar deserto. Ele sabia que se eles continuassem naquele pique de atendimento logo entrariam em esgotamento.

Por termos uma vocação pastoral muitas vezes nos tornamos insensíveis a este tempo de descanso, temos a insanidade de pensar que ao nos retirarmos por uns dias à igreja não resistira. Esquecemos que a Igreja não é nossa, e que é Ele que cuida da Igreja.

Quando um pastor sobe em um púlpito esgotado ele não realiza de forma satisfatória seu papel de mensageiro, se ele atender uma pessoa em momento de esgotamento será apenas para cumprir uma agenda e não para orientar na direção do Espirito Santo tal pessoa. 

O pastor Malcolm Smith escreveu em seu livro ‘’Esgotamento Espiritual’’ algo que é uma grande realidade entre os pastores da atualidade.

A tensão mental e emocional, oriundo do profundo envolvimento nos problemas das outras pessoas, exaure nossa energia e força. As longas horas sem descanso apropriado, as longas semanas sem dias de descanso, mais cedo ou mais tarde resultarão em a pessoa passar a viver a beira da exaustão física.

Com certeza este assunto é conhecido de muitos pastores, porém, a verdade é que poucos realmente levam a sério o quesito de descanso. Quesito este que foi estabelecido pelo próprio Deus no inicio da criação. (Gênesis 2:2)

O intuito de Deus descansar no sétimo dia não nos diz que Ele se cansou, mas que Estava deixando um legado a ser observado pelos homens. O descanso também é um meio de glorificarmos a Deus obedecendo ao seu preceito.

Um ministro que não tem tempo de qualidade com sua família, não tem um momento se quer para ouvir sua esposa e filho, arrisco a dizer que há muito tempo parou de ouvir a voz de Deus, porque foi o próprio Senhor que estabeleceu todas estas coisas.

Existem ministérios que o próprio pastor tem medo de falar a palavra ’férias, afinal de contas tirar alguns dias de descanso soa como falta de zelo e descompromisso com o reino.

Pergunto: Que reino? 

Com certeza o seu próprio reino, não o Reino do Senhor, pois, também somos ovelhas e necessitamos de pastos verdejantes para um bom descanso.

O Missionário da SEPAL, Marcos Quaresma em seu esclarecedor artigo, Suicídio de pastores e líderes, nos traz uma ideia do perigo que o esgotamento é para um pastor, ele ainda aborda dados alarmantes trazidos pelo Instituto Schaeffer:

70% dos Pastores lutam constantemente contra a depressão.

71% se dizem esgotados.

80% acreditam que o ministério pastoral afetou negativamente suas famílias.

70% dizem não ter um amigo próximo.

De fato isso é estarrecedor, e precisamos estar atentos a estes sinais, eles podem e tem levado pastores a cometer suicídio e a destruir sua própria família.

Gostaria de testemunhar um pouco do que ocorreu comigo quando entrei no ativismo como pastor e não entendia o tempo sabático.

Fui levado ao ministério pastoral no de 2000, e naquela época eu tinha uma ideia de que mudaria todas as pessoas que cruzassem o meu caminho. Eu estava envolvido totalmente nas questões eclesiásticas, meu tempo era totalmente para o exercício do ministério, não tinha tempo para perder, atendia a todos quantos fosse necessário. Enquanto eu corria, não vi meu filho crescer da maneira que deveria, não conseguia enxergar as dores de minha esposa, estava obcecado pelo ministério, ele havia se tornado o meu deus. É logico que colhi muitas coisas negativas, uma delas foi quase o fim do meu casamento. Recordo que naqueles dias de frenesi espiritual estava indo para uma visita e de repente me deu um branco e esqueci completamente para onde ia e quem iria atender. Graças ao bom Deus fui despertado a tempo.

Descobrir minha humanidade foi o ponto principal para sair daquele pesadelo. Hoje tenho compreendido que alguns pontos são importantes para suportar o stress ministerial como também para evitar o esgotamento.

• Tire férias, descanse sua mente, durma um sono de qualidade, seja como a águia e renove suas forças.

• Tenha um tempo de lazer e sinta-se humano, digo isso porque há pastores que levam muito sério a questão de ser o anjo da Igreja, ao ponto de espiritualizar tudo.

• Busque amigos, pessoas que conversem contigo sobre assuntos saudáveis, assuntos que não sejam relacionados ao ministério. 

• Tenha alguém que você possa abrir seu coração e jogar fora o lixo emocional adquirido.

• Tenha tempo a sós com Deus, pois nada é mais revigorante do que estar aos pés do sumo pastor de nossas almas.

Acredito que podemos ter uma vida de qualidade emocional ao conseguirmos compreender a diferença entre ativismo ministerial e pastoreio equilibrado.

 

Pr Maurício da Silva Ramos